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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Vanda Salles: Epopeia Estetico - Literária * Antonio Cabral Filho - Rj

Vanda Salles: Epopeia Estético - Literária

Nesta obra, 

Cantigas Para a Mulher do Século XXI
Vanda Lúcia da Costa Salles,

resume seus 30 anos de poesia, lançado em 2013. Agora, imaginem daí por diante... A Autora cada dia mais madura, mais experiente na incisão da palavra, mais segura da precisão dos movimentos do verso...confirma, citando Santo Agostinho: A medida do amor é amar sem medida. E se embrenha nos jogos do olhar...


"UMA MIRADA


Na leveza destes traços

a mão escorre tão lenta
e afronta
o instante passageiro

A mulher que te olha

com firmeza
é a mesma
cujo desejo não abre mão

Em pinceladas brejeiras,

esse espelho,
apenas espelha
o que a certeza introduziu na palha do teu chapéu

Uma mirada certeira

sem flecha e sem arco, aqui com os meus botões: beleza,
somente a energia intacta
na profundidade guerreira da instigante emoção."
Mas Vanda Salles é profícua em seu manancial imensurável, seja no verso, na prosa, nas artes plásticas e no ensaio. Podemos localizá-la em seus blogs e nos abastecermos em sua estética.
ou aqui
e aqui também
mas pode ser aqui 
e ainda aqui
E uma opinião importante sobre nossa poeta é a de Amélia Dalomba - Angola - que diz no 

"PREFÁCIO

VANDA SALLES,

desencadeia de forma sistemática valores literários produtivamente enriquecedores, nas suas publicações, quer nas redes sociais, como nas suas mais diversas obras.

Em "Cantigas para a Mulher do Século XXI - 30 anos de poesia" expressa um imaginário repleto de sensibilidade, onde as preocupações com o Meio, a Natureza, o Amor, a Paz, as Crenças, a Divindade de cada um, a Mulher e a sua luta cotidiana pela afirmação do gênero como um grito; um grito, contra os atavismos das sociedades modernas, que insistem em alimentar ainda, as feras dos instintos, num prazer mórbido de dominar, impondo padrões estanques de conduta social, cultural e até política e humana, aos "menos abonados" pela sorte. Nesta obra, a poetisa, induz com a sua poesia "tal ondas encrespando-se nos rochedos", um novo olhar sobre o outro e a natureza, para uma profunda mudança interior, a partir de nós.
A melodia de sua pena, na pauta publicada nesta obra, apela, a que sintamos a poesia, eduquemos os sentidos, para as expressões humanas mais singelas, como alimento das nossas almas, tão famintas de partilha, de beleza, de reflexão e até de música, conforme sua "Misteriosa Sinfonia."

As árvores, animais, flores e frutos têm vozes próprias; os homens, desde as canções nativas às mais eruditas, revelam as suas identidades, deixam suas almas a descoberto, então porque não respeitar a diversidade da existência e perceber, pela poesia das palavras claras, a necessidade dos despertamento ao mais elevado, identificado por Vanda Salles:

"No dia em que o Deus Maior resolveu amar" e todas as estrelas, os elementos da natureza de luz raiadas somando-se às janelas dos sentidos, denuncia:
"Amor eu só senti e como essas folhas ao vento sigo"
Viva Gonçalves Dias!
Bem-haja A POESIA!!
&
&
...

domingo, 25 de novembro de 2018

Narcisa Amália * Antonio Cabral Filho - Rj

Narcisa Amália
Informe Biográfico
http://ambientecult.blogspot.com/2010/04/parabens-narcisa-amalia-ilustre.html
Mais Narcisa Amália
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/narcisa_amalia.html 
.
https://pt.calameo.com/read/001893073fb520a1cfa57 
.
https://pt.calameo.com/read/001893073a2bed39b064f
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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Coleção Terra e Céu: Trovas * Antonio Cabral Filho - RJ

Coleção Terra e Céu:
Trovas de Jessé Nascimento e P. de Petrus
Recebo pelas mãos do dileto amigo e trovador Jessé Nascimento, meu nobre colaborador do Letras Taquarenses, o exemplar da Coleção Terra e Céu em que participa e homenageia o egrégio trovador P. de Petrus.
É uma iniciativa da UBT para registrar os cem anos de Luiz Otávio, mas dando sequencia à bela ação, a UBT de Porto Alegre, dirigida por Flávio Roberto Stefani, decidiu homenagear também trovadores recolhidos à Academia Celestial de Letras e Artes - ACLA, e assim, criou a referida coleção, na qual um trovador vivo resgata outro já falecido.
Meu amigo Jessé Nascimento, capixaba de nascimento mas com alma carioca, milita nas barricadas literárias desde os mais tenros dias, quando aos 16 anos, seu período ginasial,  venceu o concurso de trovas do grêmio estudantil com o apoio do GBT - Grêmio Brasileiro de Trovadores, entidade precursora da UBT criada e dirigida por Rodolfo Coelho Cavalcante, que julgou as trovas.

Morou por décadas na Cidade Maravilhosa, enquanto atuava na imprensa através do Jornal do Brasil e O Dia, mas atualmente migrou para os ares de Angra dos Reis, onde sua atividade literária mantem-se latente, como delegado da UBT e membro do Liceu Angrense de Letras e Artes.
Para melhor conhecer o distinto trovador, acesse
1 - Facebook Jessé Nascimento
https://www.facebook.com/profile.php?id=100009811636182 
&
2 - Letras Taquarenses
https://letrastaquarenses.blogspot.com.br/2016/12/letras-taquarenses-ano-xi-n-71-novdez.html 
&
3 - Recanto das Letras
http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=167968 
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quarta-feira, 8 de março de 2017

Pedro Emilio -Trovador Fluminense * Antonio Cabral Filho - Rj

Pedro Emílio de Almeida e Silva - Trovador Fluminense
Nasceu em Campo Alegre, distrito de Cantagalo, no estado do Rio de Janeiro, em 09 de junho de 1936, filho de Jonas de almeida e Silva e Austrealina Silva. Cursou direito e bacharelou-se. Casou com Maria Paulina Sardenberg Silva, com quem teve 3 filhos. Trabalhou no rádio e em jornais e findou inspetor da fazenda, cargo no qual se aposentou em 1960.

Foi trovador e poeta, tendo ocupado a cadeira nº4 da Academia Fidelense de Letras, cujo patrono era Jayme Coelho. Pedro Emílio foi um baluarte dos trovadores fidelenses e um dos raros trovadores remanescentes daqueles que conviverem com Luiz Otávio, J. G. de Araujo Jorge e Aparício Fernandes.
Faleceu em São Fidélis/Rj, em 28 de março de 2013, aos 77 anos.
*
Seleta de Trovas

1 - Falando de Trovas
http://falandodetrova.com.br/pedroemilio 
2 - Anotações BR
http://anotacoesbr.blogspot.com.br/2013/03/morre-pedro-emilio-silva.html 
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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Duque - Costa: Duque Costa * Antonio Cabral Filho - Rj

Hermínio Duque Estrada Costa
Organização:
Paulo Duque
Edição:
Editora Avanço
Rio de Janeiro - Rj 1983

"Explicação Necessária

O poeta DUQUE COSTA nasceu no Bairro de São Cristóvão, no Rio, em 22 de julho de 1894. Eram seus pais os professores Alfredo Antonio da Costa e Celina Caminha Duque Estrada. Fez seus primeiros estudos nos Colégios Pedro II e Militar. Ingressou muito jovem na Faculdade de Direito, em 1911 e, no 4º ano, foi eleito Diretor-Redator Chefe da tradicional revista  literária  A ÉPOCA, até hoje existente naquela faculdade. Quem quer que se disponha a pesquisar a vida literário no Rio, São Paulo e Belo Horizonte, nos idos de 1920, há de constatar a presença fulgurante de Duque Costa. Depois, o silêncio. Muito mais tarde, Andrade Muricy, em seu monumental Panorama do Movimento simbolista Brasileiro (2ª Edição, 193, 2º Volume) transcreveu os seguintes poemas de Duque Costa: Rapsódia da Hora Parada, Reveria Poética de Inverno, Balada Patética, Legenda da Beleza Nova, Elogio Exótico, Visão de Maio, O Último Noturno, O Antifauno, Taça Vazia, Sombra Ignota, Neurose de Ausência, A Tempestade e Blue Devil. Algumas delas, e outras até então inéditas, foram reunidas em livro de 1980, na 1ª Edição de O Livro Poético de Duque - costa; o livro vem com um atraso de pelo menos 50 anos, mas revela às novas gerações um dos mais estranhos e requintados poetas do Brasil, bastando lembrar que alguns de seus títulos são poemas isolados. Tendo sido póstumo o único livro que deixou, não nos é possível imaginar qual o valor real que o poeta teve na sua feitura,  quer na seleção e ordem dos poemas, quer nas variações de títulos, servindo como base os poemas que selecionou, ainda em vida, para serem publicados por Muricy em seu "PANORAMA". Na presente edição não seguimos a disposição dada à 1ª e incluímos dois poemas que ali não figuram, um deles sem título e o outro denominado Noturno, ambos porém com o mesmo tema poético. O poeta faleceu aos 22 de maio de 1977, no Rio, Bairro de Laranjeiras, que hoje possui uma praça com o seu nome.
                                                                              OS EDITORES
"
O Livro Poético de
DUQUE - COSTA

Prefácio
"
Hermínio Duque Estrada Costa
devassa a matéria do seu verbo como através de uma água-marinha cintilante. Sua poesia obedece a uma rica criatividade de imagens, ligada a uma musicalidade que exige a perene presença do espírito.  Ela evolve entre singulares parâmetros, onde se defrontam a misticidade mais recôndita  e forte implosão temperamental.  Ótica particularíssima  conduz-nos como por entre  colunatas de pura ônix e luminárias crepusculares promanadas dum luar transcendente. O caminho rebrilha com a reflexão de delicados esmaltes.

Nos seus amplos poemas derrama-se uma atmosfera outonal, muito diferente da perquisição vocabular do parnasianismo. A tessitura do seu verbo afasta-se do joalheirismo ornamental e do didatismo, basilares àquela escola. A procura de grandes sonoridades orquestrais é ausente da poesia de Duque Costa,  motivada por impulsões de trama movente da música  de câmera.

A palavra conserva-se atenta ao magismo malarmeano e ao instrumentalismo de alguns simbolista menores. A urdidura alígera da oba de Duque costa  é de uma singularidade envolvente.  A inventiva enriquece  seus versos com uma cromática inçada de achados verbais surpreendentes, acordes cuja raridade situam-no entre aqueles aos quais Ruben Dario chamou "los raros".

A virtuosidade expressional é valorizada por subitâneos jogos semânticos e, ainda, pelo uso de metáforas e aliterações.

Quando, por volta de 191, o seu poema "Legenda da Beleza Nova" apareceu, foi abundantemente parodiado pela sua apaixonada busca do frisson nouveau  baudelaireano. O verso: "Tua beleza dói o meu êxtase"  como verbo transitivado, terá impressionado mais do que um universo todo em sedas, veludos, luzes, do parnasianismo. O poeta vivia num mundo de águas opalescentes e cambiantes de irisação ácida, em que evolui um agudo erotismo imaginativo, um bizantinismo, que parecerão apenas artificiosos mas que são consequentes a um temperamento crispado e doloroso, de curtos paroxismos nervosos, sempre acicatado pela ânsia do insólito.

Duque - Costa foi, no pós - simbolismo, - o que é explicável pelo fato de ter sido parente próximo de Gonzaga Duque, expoente da crítica das belas artes - um esteticista puro. Suas pesquisas poéticas levaram-no a regiões  limítrofes da dos "harmonistas" à René Ghil, e ao experimentalismo "instrumentalista" que obteve certa  voga entre os da segunda geração simbolista europeia. Poemas como Rapsódia da Hora Parada e Balada Patética, porém principalmente O Último Noturno, Reveria Poética de Inverno e Reveria do  Outono, vão muito além das incursões pioneiras de Guerra Duval no terreno da procura do valor sonoro das palavras para a realização da "música poética" que Baudelaire preconizava e Mallarmé conduziu a uma genina magia de estrutura verbais, de um grafismo auto - suficiente.

O fenômeno estético que ele leva à área do pleno Modernismo é de um aristocratismo prestigioso, que também se acusa na forma tradicional do soneto. As suas inovações personalíssimas muito se distanciam da prosa poética  e da poesia em prosa - sendo grandemente livre, mercê da sua enucleação no terreno da legítima Poesia.

Duque - Costa não tinha ânsia de publicidade, devido a um pudor que o levou a nunca apresentar num livro sua obra. Por essa razão, o presente livro resta como um monumento criado por um poeta autêntico. Sua poética garante-lhe um relevante posto no cenário das nossas letras.

Foi com um vivo interesse que tratei de Duque - Costa - então ainda vivo -, inscrevendo-o na segunda edição  do Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro 1973, quando ainda não conhecia o conjunto de toda sua produção literária.

Rio, janeiro de 1980
Andrade Muricy
"
***

sábado, 12 de novembro de 2016

Gonçalves Crespo / Antonio Cândido * Antonio Cabral Filho - Rj

Antonio Cândido Gonçalves Crespo
Gonçalves Crespo,
poeta brasileiro em terras lusitanas
http://antoniosaraivacabralfilho.blogspot.com.br/2016/11/goncalves-crespo-antonio-candido.html 
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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Barroso de Carvalho, desde Miracema * Antonio Cabral Filho - Rj

Barroso De Carvalho
Seu nome é Gilberto Barroso de Carvalho, e cheguei até ele via o Heli Samuel, autor do romance João Petinga. Heli usa um trecho de poema dele como epíteto no seu livro, e como eu não o conhecia, fui pesquisar, e ei-lo!
Para nosso imensa alegria, é um poeta fluminense de Miracema, terra de Heli Samuel. 
Confiram
http://www.marcellino.xpg.com.br/11.html 
***

domingo, 20 de março de 2016

Julia Cortines / Literatura Fluminense * Antonio Cabral Filho - RJ

Julia Cortines
Literatura Fluminense
Por
Antonio Miranda
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/julia_cortines.html 
*
Pequena Antologia
http://www.escritas.org/pt/estante/julia-cortines 
***

sábado, 12 de março de 2016

18º Concurso Nacional de Poesia Silvestre Mônaco 2016 * Antonio Cabral Filho - RJ

Associação Niteroiense De Escritores - ANE
18ª Concurso Nacional 
de Poesia Silvestre Mônaco – 2016

ASSOCIAÇÃO NITEROIENSE DE ESCRITORES

1. Inscrições – até 7 de maio (valendo a postagem).

2. Tema livre – apenas um poema digitado em 3 vias, papel A4, espaço duplo, máximo 30 linhas.

3. No original deverão constar: título e pseudônimo do poema, colocados em envelope ofício e dentro deste um envelope tipo carta, lacrado, contendo na parte externa o título da obra e pseudônimo. Em seu interior a identificação do autor (nome completo, endereço, CEP, telefone, e-mail, título da obra e pseudônimo).

Remessa: Av. Rui Barbosa, 291/601 – São Francisco – Niterói – RJ – CEP: 24.360-440; (associacaonit.escritores@gmail.com – em caso de dúvida).

Premiações para os 1º, 2º e 3º lugares e duas Menções Honrosas (placas e medalhas).
Prêmio especial para o melhor poema de residente em Niterói.

O resultado será anunciado pelo e-mail da ANE ou por telefone, assim como o local do evento que será no dia 28 de maio às 10 horas.

***

domingo, 31 de janeiro de 2016

O Norte Fluminense / Maria Beatriz * Antonio Cabral Filho - RJ

O Norte Fluminense
Bom Jesus De Itabapoana - Rj
*
http://onortefluminense.blogspot.com.br/2016/01/biblioteca-do-ccmb-possui-preciosidades.html 
*
Acesse e confira. São duas preciosidades: A primeira, O Norte Fluminense, fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de Dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2008-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com. E a segunda, a Revista Literária A Folha, de Campos dos Goytacazes divulgada pelo primeiro. 

Cabe ressaltar que não teríamos o prazer em tomar contato com estas publicações se não pudéssemos contar com a percuciente atuação da escritora Maria Beatriz, criadora e dirigente do 
Centro Cultural Maria Beatriz 

https://plus.google.com/+CentroCulturalMariaBeatriz/posts 

, de Laje do Muriaé - Rj, à frente do qual vem realizando vasto trabalho de pesquisa e divulgação da cultura fluminense. 

*

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Olavo Bilac: Ora direis...* Antonio Cabral Filho - RJ

OLAVO BILAC
ORA, DIREIS...
9 OBRAS PARA DOWNLOAD
http://noticias.universia.com.br/cultura/noticia/2015/07/21/1128576/baixe-gratuitamente-9-obras-olavo-bilac.html 
*

domingo, 8 de novembro de 2015

Trovas Para As Estrelas / Elizabeth Souza Cruz * Antonio Cabral Filho - RJ

Elizabeth Souza Cruz
Poetisa e Trovadora
Nova Friburgo - RJ
*
Minhas mãos... venho trazê-las,
até parecem vazias,
mas são repletas de estrelas
que eu colho todos os dias.
*
Muito além do próprio céu,
eu trago estrelas na mão
e assim vou tirando o véu
de qualquer desilusão...
*
Estrelas são tão normais
nas mansões por onde habito
que não vou perder, jamais,
as estrelas do infinito.
*
Estrelas??!! Não só Bilac
com elas soube falar,
porque eu sei que até num baque,
mil delas vou garimpar...
*
Estrelas??! Faço a premissa
e antecipo uma colheita
e até mesmo na injustiça
há muita estrela na espreita...
*
Não há que seguir um mapa
que me mostre a direção,
pois mesmo levando um tapa
colho estrelas dessa mão...
*
Estrelas...quantas??!! São mil!!!...
São muito mais que um milhão,
porque num gesto gentil
eu as tenho em profusão...
*
estrelas...posso plantá-las
no agreste de cada chão
e até dentro das "senzalas",
onde houver escuridão...
*
Estrelas estão comigo,
no céu turvo e, sem ressalva,
se estou prestes ao perigo
é uma estrela que me salva.
*
Entre a "Estrela" friburguense
e o emblema tricolor,
se um é fato, me convence,
o outro vence pelo amor.
*

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O Féretro Dos Vivos/Airton R. Oliveira * Antonio Cabral Filho - RJ

O Féretro Dos Vivos
em nove carros
AIRTON R. OLIVEIRA
Edições Rosa Dos Ventos

Apresentação
A poesia de Airton R. Oliveira define bem este meu jovem amigo. é uma poesia engajada, a participar das agruras  do povão, como o autor. O Féretro Dos Vivos em Nove Carros, só não lhe dará o status  que o automóvel confere aos ricos. Sua maior e única riqueza é ter o status de poeta, do qual a prova é o seu livro. 

Antonio Fraga,
Nova Iguaçu - RJ

Fala Do Autor

"As experiências vividas propiciam momentos criativos vários; tal oportunidade é fruto desse tempo embassado de incertezas. Procuro mostrar nesse pequena obra, os sofrimentos do homem divorciado do direito de viver.

O presente trabalho não está, tão somente, ligado à sensibilidade testemunhal da realidade mas procura-se dar, também, sincronisação de movimentos  a cada verso construído através da palavra pesquisada: a musicalidade surge com ritmos sucessivos engendrados pelo homem espoliado, em cada vagão coberto de medo.

Fica patente a disposição do verso parido onde aprende-se a escrever e conviver com cada coração  acorrentado e sequioso de esperanças.

A.R.O."

I
Nesse solavanco arranco trôpego,
espero desesperado o atrasado
que emancipa o fim premente na mente.
Estação de trem, plataforma,
forma uma azáfama
ama
     arma
            morte
Angustiado. Atraso do primeiro suburbano
a caminho do grande centro urbano
esse anuncia o prenúncio do amanhã:
névoa úmida, pássaro a cantar,
luar caindo novo despertar.
O povo desesperado rasga da goela
um grito firme
marmita suspensa. Dança ovo, dança feijão,
dança arroz
paladar, saciar a fome
enquanto come apalpa a comprime o alimento
cimento com brita comida desenvolvida
vida
     vil
         vide
Passos largos incertos
sapato roto, moeda desvalorizada
risada, larga risada
pisa na lama escorrega no estribo
                           fim de linha.

II
A chama vem à tona
mais um dia crucial
carne viva exposta
posta no antro quente
forno de carnes tostadas
              mundo tropical.
No canibalismo de cada marginal
na margem esquerda e na direita
sinal vermelho: sangue pingente
de carne retalha em pedaços.
Trilha de trem trilha sonora
último canto em estribos falsários,
samba cadenciado do féretro dos artistas
da vida dura,
postados no cadafalso da carne mórbida.
Finado. A chusma em grasnidos,
a plataforma eterna, sua tranquila pousada.
Férias sem féria, de cada cinco dias
o pão nosso de cada dia, paraíso;
a remuneração sem salários nem tampouco
Fim
Garantido por
Tempo de 
Serviço
Albergue eterno isento de desemprego
sem desespero nem fome. Imigração eterna.

III
Linha dura
linha férrea
corpo partido
doído esquartejado
menos uma mão-de-obra.
Corpo desfigurado
banhado em sangue
verde, vermelho e amarelo.
Feriado nacional trem vazio
apenas algum marginal.

IV
Mandinga na encruzilhada:
cachaça, galinha, vela, chama
- sexta-feira 13 -
coração veloz, descompassado
sístole, diástole, diástole, sístole.
Desorganizado. Sangue envolvente
vermes em greve
tripas roncando
cuíca calada
aperto o passo
madrugada nascente
lume sem luz
o galo a cantar
suor exposto no rosto brilhante
em sua agonia marmita vazia.
                             Bafo azedo.
Marginal na estrada seguro à arma,
à espreita
silêncio calado
intercepta-o
                 corta-o
                           tomba-o
vida pura
             purulenta
                           vida vil
Família alhures
sem o mínimo salário
minimizador aglutina a dor.
fome contínua, locada na broca do rosto
na broca da boca, na broca do estômago.
Aluguel vencido
família desabrigada.
A fome é dura
perdura no seio
do amanhã um anseio,
casa deserta. Aviso:
"A família sem pai
mora na próxima ponte,
sem número - esquina com
a quina da ladeira da morte."

V
Na batucada da chusma
o trem se apruma
linha reta infinito
sonhar no amanhã
ventania devasta
esfriando o sufoco
sinaleiro sem vida
sinal em penumbra:
trem descarrilado.
Nenhum culpado...
retalhado o partido
partiu para sempre
bife de gente.

VI
Mas o amanhã é nascente
na alma da gente
o sol a alumiar outro dia
trem avariado:
ramal sem destino.
***
Palavra Do Editor

Como pode ver o distinto leitor, trata-se de um poeta com verve proletária, que faz da lida diária sua Excalibur, e combate, como combate!
Pelos seis cantos iniciais, ele nos fornece a tônica de sua épica, que irá perpassar em nossas almas toda a epopeia dos oprimidos das grandes metrópoles do mundo contemporâneo.
Bravo Airton !
*

domingo, 1 de novembro de 2015

Euclides Da Cunha / Poesia * Antonio Cabral Filho - RJ

Euclides Da Cunha
Cantagalo - RJ
http://www.euclidesdacunha.org.br/ 
Poesia Reunida
http://editoraunesp.com.br/catalogo/9788571399716,euclides-da-cunha-poesia-reunida 
*
Alguns Brindes Aos Seus Fãs
1 - http://www.culturabrasil.org/zip/ondas.pdf 
2 - http://www.academia.org.br/abl/media/poesia3.pdf 
3 - http://issuu.com/antoniocabralfilho6/docs/poesia3 
*

RUMOS / POESIA 1975 * Antonio Cabral Filho - RJ

RUMOS
Alberto Oliva
Luis Alberto Cerqueira
Silvio Witlin
Edição Dos Autores 1975
*
RUMOS
é fruto da amizade. Da amizade entre os autores, e, veio parar em minhas mãos, também pela amizade, amizade entre aluno e professor, quando em 1978, cursando direito na UFF, reencontrei meu professor de história no 3º ano do 2º grau, Prof. João, numa passeata pela Av. Almirante Barroso, centro da cidade do Rio de Janeiro, ele já policial federal, acumulando dois empregos, e saimos para tomar um cafezinho, deixando os curiosos mortos de nervosismo por verem um manifestante cheio de broches do Comitê Brasileiro Pela Anistia, conversando e abraçando, amistosamente, um policial federal, ainda no clima de ditadura militar em que vivíamos.

Conversa vai conversa vem, ele abriu a tiracolo e mostrou-me RUMOS, falou sobre os autores, todos seus amigos, e disse que eu teria bons momentos lendo-o. e ofertou-me o livro. Voltei para passeata, já chegando no Teatro Municipal e reuni alguns amigos para lermos poesia sentados nas escadarias da Câmara Municipal. Findos os discursos de praxe, nos acomodamos no Bar Amarelinho, point da militância política à época, tomamos alguns chopes e partimos. 
Mas crônicas à parte, vamos ao que interessa. Quero deixar-lhes uma amostra da poesia dos autores e começo por:

1 - Alberto Oliva:

Só uma criança
só uma criança pode fazer versos
só uma criança brinca por brincar
só uma criança sabe o que é um brinquedo quebrado
Há uma criança dentro do meu verso
há uma criança que conserta as letras partidas das palavras
há uma esperança dentro da palavra criança.
*
Divisei sua persona
fui andando nessa direção
lá pela divisa do beijo
metade do seu rosto ficou no meu
a outra metade só consigo ver
quando sozinho cismo à frente do espelho
*
Na palma da mão 
inda hão de surgir
novas coisas escritas
mensagens não ditas
entre tantas veredas
tem a trilha do corpo
sempre de súbito lembrada
quando você abre caminho
cava e cimenta carinho
no meio de braços fundos
limites de dois mundos
chamados eu e você.
*
Ontem
por dentro da noite
houve tanto silêncio
que eu gritei
como por instinto
como fogo extinto.
2- Luis Alberto Cerqueira
Crio
no tempo um novo espaço
e no espaço um vazio

Salto
sem dimensão, ao largo
e para cima, alto

Faço
do visível o abstrato
e junto eu me desfaço
*
Da janela
estendida a mão
rompe o segredo e o mistério
da comunicação:
lá e aqui
estamos no mesmo lugar.
*
Já fiz tudo
que podia
Não me iludo

Se foi pouco
mais não posso
Não sou louco

Não há meta
no meu passo
Que sou poeta

Jogo fora
meu papel
Vou-me embora
3 - Silvio Witlin
Cinco manhãs
contido,
escondido
na carne
de um bairro
chamado Ingá.
Cinco manhãs
eu sendo
meu cúmplice
a me fazer
desandar.
Cinco vezes
o coração
não sabe
onde vai dar.
*
Meu corpo
a leste do teu corpo.
Vou fazer-te uma visita,
ultrapassar a fronteira
e encontrar logo na beira
um desejo tão Maria...
*
Enquanto 
o silêncio
falar
mais alto
e calar,
terão
nas cáries
bons
esconderijos
as palavras
e ruídos
que eu queria
lançar no ar
que dança
ao redor
dos teus
ouvidos.
***